sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma vida inteira de ignorância pode ser definitivamente alterada por um único momento de sensatez!

Recentemente usei o título desta postagem no meu facebook e acredito que alguns amigos estranharam a frase, penso que muitos acharam que ela estaria fora de contexto ou mesmo que fosse um devaneio momentâneo. Temo dizer que não. Advirto que em meio a profissão de advogado criminalista convivi e convivo com pessoas que a sociedade insiste em esquecer que existem. Pessoas que, tal qual aquele mato inconveniente que nasce em meio ao nosso belo gramado, estão sempre ali, atrapalhando nossas vidas, ocupando manchetes de jornais, entristecendo nossos dias e muita vezes nos roubando a esperança no futuro. Mas o que o cotidiano nesta área me fez ver? É o que tento passar para vocês hoje. Em meio a copa do mundo no Brasil convivemos com 31 países com valores diferentes dos nossos, porém num único ponto deveras semelhantes: somos todos humanos. Porém, o jogo Japão x Costa do Marfim em especial me chamou atenção e me fez pensar, de um lado um pais desenvolvido, com um IDH fantástico, do outro, um pais simples com um PIB irrisório frente as grandes potências e com um IDH pífio. Confesso que fiquei com inveja daquela seleção que enfrentou o Japão e queria que o Brasil também o enfrentasse. Porém, não no campo do futebol, certo da superioridade brasileira, mas no campo da valorização do ser humano. Afinal, não é normal termos um alto índice de homicídios; Não é normal que não tenhamos a segurança que queríamos em nosso lar; não é normal que crianças e adolescentes nao tenham a educação que merecem; não é normal que pessoas que deveriam ter o mínimo necessário de educação, se valham da covardia do anonimato da multidão para proferir palavras chinfrins para a nossa presidente da república - aqui nenhum comentário de cunho político partidário, mas somente um momento de idealização de educação; Mas, o real problema é: quantas pessoas pensariam nisto num confronto do Brasil com o Japão? Temo dizer que um número pouco significativo. E eis que chego ao título do meu desabafo. Enquanto vivermos no aconchego da nossa ignorância, proliferando ideologias repetidas sem nos preocupar em inovar no meio social em que vivemos, penso não haver esperança que o contexto atual seja alterado, talvez o mais sensato da nossa parte seja admitir que de fato não sabemos de nada no campo do desenvolvimento humano, tal qual como eu que dia após dia desenvolvo a advocacia criminal, pensando que o Estado pode ressocializar o cidadão, quando na verdade este mesmo Estado trata este cidadão como o mato que cresce no meio do belo gramado, e aqueles que podem, viajam e sonham com um Brasil igual a Europa, sem saber que esta mudança precisa passar por nós mesmos! Reconhecidamente, a minha ignorância passa necessariamente pela realidade de não deter uma resposta para tudo o que escrevo, mas a sensatez vem com a certeza de que juntos, todos nós podemos mudar esta realidade. Quando teremos este grau de sensatez? eis a questão.

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