A brevidade dos dias daquele que faz rir
Nos remete a aflição da alma dos que tem o riso como ofício
Que não pode expressar o seu sentir
Para que todos não vejam no seu ato um desperdício
Já que infelizmente os dias felizes teimam em findar
Quando a dureza do dia insiste em se fazer presente
E neste momento até quem faz rir, pode chorar
Sucumbindo a dor existente.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Uma vida inteira de ignorância pode ser definitivamente alterada por um único momento de sensatez!
Recentemente usei o título desta postagem no meu facebook e acredito que alguns amigos estranharam a frase, penso que muitos acharam que ela estaria fora de contexto ou mesmo que fosse um devaneio momentâneo.
Temo dizer que não.
Advirto que em meio a profissão de advogado criminalista convivi e convivo com pessoas que a sociedade insiste em esquecer que existem.
Pessoas que, tal qual aquele mato inconveniente que nasce em meio ao nosso belo gramado, estão sempre ali, atrapalhando nossas vidas, ocupando manchetes de jornais, entristecendo nossos dias e muita vezes nos roubando a esperança no futuro.
Mas o que o cotidiano nesta área me fez ver?
É o que tento passar para vocês hoje.
Em meio a copa do mundo no Brasil convivemos com 31 países com valores diferentes dos nossos, porém num único ponto deveras semelhantes: somos todos humanos.
Porém, o jogo Japão x Costa do Marfim em especial me chamou atenção e me fez pensar, de um lado um pais desenvolvido, com um IDH fantástico, do outro, um pais simples com um PIB irrisório frente as grandes potências e com um IDH pífio.
Confesso que fiquei com inveja daquela seleção que enfrentou o Japão e queria que o Brasil também o enfrentasse.
Porém, não no campo do futebol, certo da superioridade brasileira, mas no campo da valorização do ser humano.
Afinal, não é normal termos um alto índice de homicídios;
Não é normal que não tenhamos a segurança que queríamos em nosso lar;
não é normal que crianças e adolescentes nao tenham a educação que merecem;
não é normal que pessoas que deveriam ter o mínimo necessário de educação, se valham da covardia do anonimato da multidão para proferir palavras chinfrins para a nossa presidente da república - aqui nenhum comentário de cunho político partidário, mas somente um momento de idealização de educação;
Mas, o real problema é: quantas pessoas pensariam nisto num confronto do Brasil com o Japão? Temo dizer que um número pouco significativo.
E eis que chego ao título do meu desabafo.
Enquanto vivermos no aconchego da nossa ignorância, proliferando ideologias repetidas sem nos preocupar em inovar no meio social em que vivemos, penso não haver esperança que o contexto atual seja alterado, talvez o mais sensato da nossa parte seja admitir que de fato não sabemos de nada no campo do desenvolvimento humano, tal qual como eu que dia após dia desenvolvo a advocacia criminal, pensando que o Estado pode ressocializar o cidadão, quando na verdade este mesmo Estado trata este cidadão como o mato que cresce no meio do belo gramado, e aqueles que podem, viajam e sonham com um Brasil igual a Europa, sem saber que esta mudança precisa passar por nós mesmos!
Reconhecidamente, a minha ignorância passa necessariamente pela realidade de não deter uma resposta para tudo o que escrevo, mas a sensatez vem com a certeza de que juntos, todos nós podemos mudar esta realidade.
Quando teremos este grau de sensatez?
eis a questão.
Neymar fora da Copa, e os pessimistas reinam, você é brasileiro? Então, reaja!!!!
Queridos irmãos brasileiros, a muito me chama atenção a postura de alguns brasileiros com relação a nossa seleção, e agora com a saída de Neymar da Copa, tal postura se repete, frases do tipo, não passa da Holanda!, agora ganham eco com "sem Neymar, então...", tais frases revelam desmotivação e descrença para com nosso país.
Sei que para muitos o que vou dizer não será bem compreendido, contudo, correrei este risco.
Isto enquanto há tempo.
Alemães, Holandeses, Argentinos e Franceses tem uma coisa em comum, o fato de não serem brasileiros, e isto revela um mal inerente a muitas pessoas:
a dificuldade de serem protagonistas das próprias vidas.
muitos procuram subterfúgios para fugir da responsabilidade, e se tornam coadjuvantes da própria vida, tal qual tentam fazer com nossa seleção, querendo como protagonistas Alemães, Holandeses, Argentinos e Franceses.
Confesso que no início desta Copa me peguei criticando o fato do mundo ter parado para ver a Copa, mas agora, posso enxergar a razão de tudo:
esporte é vida, o modo como lidamos com ele reflete quem nós somos!
O Brasil nunca será do tamanho que esperamos ter, se não conseguirmos enfrentar nosso conflito interno de inferioridade.
Chegou a hora de esquecermos de Neymar, Thiago Silva, Hulk ou mesmo Julio Cesar, isto porque a saída de Cristiano Ronaldo - o melhor jogador do mundo -, já provou que um homem só não leva um time a glória da conquista, somente uma equipe formada pela unidão indissolúvel dos homens que o formam - tal qual o Brasil com todos os seus Estados que lhe conferem seu tamanho e riqueza-, pode ser vitorioso, foi assim, na época de Pelé, de Ronaldo Fenômeno, e não será diferente hoje.
Chegou a hora de todos nós acreditarmos que podemos sim nos sagrarmos vitoriosos em nossas vidas, assim como o Brasil será em campo, chegou o momento de esquecermos um pouco a "sempre verde grama do vizinho" e olharmos para nosso belo gramado e vermos o quão especial ele é.
Em suma, bradar: GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA na hora do jogo, deve vir acompanhado de um sentimento de bem-estar e satisfação com aquilo a que nos devotamos, o nosso amado Brasil, por todos honrado!
se seremos campeões da Copa do Mundo eu não sei, só sei que devemos ser campeões de fé em nós mesmos e naqueles que nos representam - assim como devemos ter nos poderes constituídos na república e democracia -, para somente assim podermos ser felizes.
Não acreditem piamente nas pessoas que criticam tudo e todos, pois estas certamente, não acreditam nem nelas!!
peço perdão por este pequeno desabafo!
abraço forte a todos os que dedicaram seu tempo a esta leitura.
BRUNO CÉZAR CADÉ
01/07/2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
maus antecedentes podem ser maus até quando?
Assunto que atinge a todos os operadores do direito da seara criminal é a ocorrência ou não de maus antecedentes.
Tamanha é a importância deste assunto que muitas vezes condiciona ou não a concessão de liberdade provisória de um réu, porém, a sua real aplicação, guarda singular relação com a aplicação da pena.
Porém, neste primeiro momento, cabe um registro: o que seria mau antecedente?
a doutrina e jurisprudência pátria convergem ao entendimento de que teria mau antecedente o réu que possuísse sentença condenatória transitada em julgado que não se prestasse para a reincidência. Desta forma, eventuais feitos criminais em andamento, mesmo aqueles que possuam condenação ainda não transitada em julgado, não poderiam ser considerados maus antecedentes, por lhe faltarem o grau de exigibilidade que pudesse vencer o princípio constitucional da não-culpabilidade.
Cabe observar que este conceito tenta evitar p bis in idem no momento em que condiciona o fenômeno dos maus antecedentes a impossibilidade de ser aplicada a reincidência,o qual por si só seria uma medida mais grave para o acusado.
contudo, cabe registro acentuado que o rigor legal do inciso I, do art. 64 do Código Penal, determina que passados cinco anos da data do cumprimento ou extinção da pena anterior e o novo fato, não mais se considera a reincidência.
de forma que nos cabe, então, uma última indagação: até quando, então, esta condenação anterior poderá ser considerada em desfavor do réu para efeitos de maus antecedentes?
advirto o leitor que esta discussão não está pacificada no Supremo, mas que o Ministro Dias Tóffoli já decidiu que “o homem não pode ser penalizado eternamente por deslizes do seu passado, pelos quais já tenha sido condenado e tenha cumprido a reprimenda que lhe foi imposta em regular processo penal”,(10) bem como que a “interpretação do disposto no inciso I do art. 64 do Código Penal (que trata da reincidência) deve ser no sentido de se extinguirem, no prazo ali preconizado, não só os efeitos decorrentes da reincidência, mas qualquer outra valoração negativa por condutas pretéritas praticadas pelo agente”,(11)(REVISTA BOLETIM N. 259 IBCCRIM - Artigo: Maus antecedentes e reincidência: uma (re)leitura epistemológica; Autor: Antonio José F. de S. Pêcego).
Sugiro acompanhar o RE 593.818/SC, da relatoria do Min. Roberto Barroso, que trata de forma específica sobre o tema.
forte abraço em todos.
BRUNO CADÉ
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